Ao chegar em casa, todo sujo de terra e arranhado da queda da árvore, aquele menino se deparou com a figura inesperada de sua mãe, que à porta, já estava a sua espera...
Deve ter largado cedo do trabalho...
Será que alguém contou pra ela que o garoto não esteve na aula?
Será que ela encontrou algum colega do menino pelo caminho da escola?
Como saber? ... Mil coisas, passou pela sua cabeça quando viu a cara brava de sua mãe... Aliás, a cara de sempre...
—Onde é que você estava menino!—gritou ela furiosa.
—eu... eu... é que... eu...
—não gagueje, e fale logo!
Foi aí que a ansiedade do menino aumentou, e ele não conseguia mais articular suas palavras, e o menino começou a puxar mais do ar... parecia que faltava fôlego... e a primeira coisa que conseguiu dizer foi:
—é que... eu... fui ver onde mora o sol!—disparou o menino, correndo para seu quarto.
—você o quê?! Volte aqui!... volte aqui está ouvindo?... se não abrir esta porte, você vai ficar de castigo!
SILÊNCIO GERAL.
A essa altura o menino já havia pulado a janela do seu quarto, e já se transportara para os braços de quem a entendia de verdade... a amiga árvore, de sempre...
—só você me entende, minha querida amiga...
No alto de seus galhos, o garoto guardava uma pequena garrafa com água, que agora já estava pela metade, e terminou de secar...
—e agora? ainda estou com sede... se mamãe não ficasse reclamando, reclamando, reclamando, até que eu voltaria para pegar mais um pouco dágua... Queria ficar invisível de novo... Queria poder fazer o que eu quiser, sair na hora que eu quiser e chegar na hora que eu quiser...
"Por quê as coisas num podem ser do jeito que a gente quer?...Por quê?"
—a gente quem?—ouviu-se uma voz.
—ãh!—quem tá aí embaixo?—perguntou o menino assustado.
—aaah...você não vai querer saber...—responde a voz lentamente.
Os olhos do menino começam a encher-se de lágrimas... ele estava com medo... suas mãos ja tremiam ...
... e a voz diz outra vez:
—pra um menino que persegue o sol, e desafia a sede, até que sua coragem não me parece tão grande agora...
O silêncio é geral nesse momento...
—Você está suando frio...—completou a voz, para aquele menino... e ele, por sua vez, gaguejou dizendo:
—co-como você sabe disso?
—pelo toque de suas mãos?
—ãh!
SILÊNCIO GERAL.
De repente, pula o menino daquela árvore, assustado, agitado, com o coração na boca, dispara em direção ao barrio de água do banheiro de sua casa. Mergulha.
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