SEJAM BEM VINDOS!

Este livro, que aos pouco está sendo escrito, é dedicado especialmente a bailarina Layanna Monique ― sinônimo de talento, perseverança e ternura.

domingo, 17 de julho de 2011

capítulo 24: A ENTRADA

―Pode descer que eu sei que você está rapazinho...

Silêncio Geral...
Ninguém fala, ninguém responde... apenas uma  folha verde  caí lá do alto do galho da árvore, denunciando que alguém está ali...

―Vamos, vamos, vamos! Não tenho todo o tempo do mundo! ―insistia a mãe do menino da árvore.

Eu, no lugar do menino da árvore, particularmente perguntaria àquela mãe, que TODO tempo do mundo é esse que ela se refere...  E se ela não tem todo esse tempo do mundo: afinal ―que tempo ela tem?...
Resposta: a de ouvir a professora, a segunda mãe do menino... ou seria a terceira?... já que a segunda tem uma casca dura e é toda recoberta de folhagens?

―Olhe que eu posso mandar cortar essa árvore! ―gritava a mãezona, que não obtendo resultado, retirou-se temporariamente da zona de confronto e foi chamar o vizinho de sempre...

Momentos depois, lá vem os dois: mãe e vizinhos, e um terceiro elemento afiado: um machado.

―Vai descer não? Olhe que não vou chamar de novo! ―apelou àquela mãe, pela última vez.
―Deixe eu subir vizinha, e tentar fazê-lo descer...
―nem adianta, se bem o conheço, ele vai subir cada vez mais; além do que, os galhos são finos demais para suportar o seu corpo, vizinho...
―mas cortar o tronco pode provocar um grave acidente no seu filho...
―É verdade, mas faça aquilo que a gente combinou...

"spraff!!!"
"spraff!!!"
"spraff!!!"

Machado vai e machado vem... Ao todo, foram dadas exatamente cinco fortes machadadas no  grosso  e roliço tronco daquela velha e frondosa árvore, que apesar disso, se manteve firme e forte em seu lugar...

Após alguns instantes, a mãe daquele menino, retira-se  com o seu vizinho, para sua casa, paga-lhe o trato conforme o combinado... Um susto apenas... para logo em seguida, se tudo desse certo, o menino ter espaço  descer mais rápido daquela árvore, a quem, com certeza, ele não queria vê-la derrubada, no chão.

ANOITECE... e junto com as cinco machadadas, dadas, permanece naquela árvore, violentada, as dores de uma triste reflexão:

"pode-se derrubar uma porta; pode-se até desmoronar uma árvore... mas nunca se poderá  forçar a ENTRADA  de um coração" (Anderson Gomes)


capítulo 23: As folhas da vida

―Minha querida arvore
hoje vou escrever em mais uma das suas folhas para dizer que estou muito triste querem me obrigar a ir a escola minha professora veio me visitar mas me escondi e ela falou com a minha mae falando de toda a minha vida na escola pra ela me senti nu se a minha mae quisesse mesmo saber ela me desse mais atenção porque ela só sabe brigar comigo e agora estou aqui em cima escondido outra vez tremendo de frio neste tempo que nao muda é sempre nublado e frio As vezes nem me da vontade de escrever mais ja sao tantas folhas marcadas com a minha vida que as vezes me da medo de voce murchar de tanta tristeza Ontem ela disse que ia cortar voce e se ela fizer isso um dia eu fujo de casa para nunca mais voltar porque ela só sabe reclamar comigo e tirar minhas alegrias e agora quer me tirar de voce
Nao sei o que a minha mae quer de verdade e nem do que ela reclama tanto
Acho que ninguem aguenta ela Mas eu sei que ela é a minha mae e nao deveria ta falando isso dela mas é o que eu sinto sera que eu vou mentir para mim mesmo? O que ela quer?

capítulo 22: LETRAS VIVAS

―ôh de casa?
Era o chamado que se anunciava na mais nova nublada manhã, trazendo à porta do menino, uma professora dedicada aos seus alunos, e que agora, viera atrás deste, que trocou a escola: pela árvore.

Do quintal, com as mãos cheias de espuma  do lavado de roupa, eis se aproxima a mãe do garoto:
―Sim, o que deseja?

Mãe e professora conversam longamente, à portas fechadas... mas atrás de uma delas, colava-se os ouvidos daquele menino, que fazia tempo que não pisava no solo "in-fértil" da escola...
Afinal, o que podiam lhe ensinar? A sentar-se enfileirado com os outros alunos numa posição hierárquica?... Ensinar a avaliar o aluno pela nota?...Quanto vale um aluno?... Seria também ensinar que não se deve discordar do professor? ...Que não se deve dizer nada de diferente do conteúdo da aula?... Ensinar a pintar apenas dentro do contorno do desenho? Ensinar que é feio borrar? Ensinar que o bom menino não faz "pipi" na cama? Ensinar a não pensar? Ensinar a ter respostas prontas e decoradas? Ou ensinar que um bom menino fica bem comportado e bem CALADINHO?
Se for isso: É só o que o garoto sabe fazer: ficar calado a maior parte do tempo que lhe dão... (e dão?)

Ficar lá no "fundão", isolado dos outros "certinhos", se sentindo o caladão, não era o que ele queria fazer... mas eram o que queriam pra ele... Que quanto mais calado: melhor! Afinal, o que ele tinha pra oferecer ?  ―assim falavam.
Para alguns, o menino Não falava coisa, com coisa, e ainda lhes diz que as letras saltam do quadro quando a professora escreve as tarefas de classe... Parecia que as letras tinham vida...parecia que elas queriam comunicar um algo mais além do que estava ali descrito. O que elas queriam dizer? ...Ou: O que elas o dizem?... Mas o que isso interessa a alguém?... Ninguém acreditava no menino das "letras vivas"...

O menino não precisava ouvir mais nada... Todo esse  histórico de sua  vida escolar, acabara de ser minunciosamente detalhado por aquela professora, diante de sua mãe... e agora, como sempre, não restava mais nada a esperar...a não ser:  a punição... além das várias que recebia por ter nascido.

Mãe e professora se cumprimentam e se despedem...
e onde está o menino?... Na árvore... 
Na velha amiga árvore de sempre... à desabafar...