Havia uma árvore do outro lado da cerca... Mas havia muitas outras do lado de cá...
Mas... aquela, de lá: era especial... mais brilhante... mais viva!...
Masss... era justamente aquela que estava lá do outro lado da cerca. Além de seus limites.Mais tarde, quando o caçador voltava de sua caçada, encontrou seu filho sentado em cima da cerca, de frente para a árvore de seu desejo.
―O que faz aí em cima? Venha me ajudar aqui com a caça... será nosso Jantar de hoje.
Ele desceu num único salto, e mostrou em seguida, habilidade, nos preparativos na hora de temperar a caça... porém, do lado de fora da cozinha, deparou-se com algo que mecheu com seus sentimentos. Quando foi jogar no lixeiro, algum resto de material imprestável, avistou em meio ao lixo, os OLHOS do animal caçado...
Tristeza estranha lhe invadiu a alma. Não era apenas os olhos, mas o efeito deles sobre quem o olhava. ..
Agora: Não mais se sabe quem olha quem.
Tristeza estranha lhe invadira a alma... angústia, pesar... Uma dor que lhe arranca um grito!... e o transporta como um raio, para as paredes pálidas de seu quarto. O pai do jovem menino, pergunta o que houve, e só ouve gemidos. Observa cuidadosamente o filho, não há marcas, nem ferimentos em seu corpo. Suas limitações, e pouco entendimento, não lhe dá condições de perceber um pouco mais além ―as feridas da alma.
"O que poderia ter ocorrido?" Pensa...
O filho, nada responde a seus questionamentos. Deixa-o quieto...e se retira do quarto. Não o força a falar, pois sabe que de nada adiantaria. Dá-lhe espaço...O caçador sabe diferenciar um bicho, de um filho... e aquela hora, era a hora de ser pai. E pais, também devem saber a hora de retirar-se, e respeitar o momento de seus filhos... respeitando seus limites.
