SEJAM BEM VINDOS!

Este livro, que aos pouco está sendo escrito, é dedicado especialmente a bailarina Layanna Monique ― sinônimo de talento, perseverança e ternura.

sábado, 30 de julho de 2011

parte: 2.7

O abraço consolador,  domava o coração feroz e ferido daquele menino... Agora, sob os cuidados de um desconhecido...

O menino foi levado  para uma a fazenda...  o lar do Caçador, que agora alimentava   aquele "bicho do mato", sedento  e faminto... dava a impressão que do modo como comia, o mundo ia se acabar...

Farta-se...
Deita-se e logo pega no sono... ali mesmo no chão...
O caçador apenas observa ao longe aquele "bicho do mato" embaixo da mesa como um cão sem dono... Talvez fosse dessa maneira, como aquele menino estavesse  se sentindo... Talvez  fosse essa a sua maior  expressão.

Há coisas na vida que não são ditas...
Há outras que são verbalizadas pelo silêncio... (Anderson Gomes)


parte: 2.6

Parace fácil escolher, entre VIVER ou MORRER... mas não para algumas pessoas...
Algumas caminham mortas sem nem o saberem; outras se não morreram, caminham para a beira do abismo se defrontar com o perigo... Não por uma questão de destino, mas por uma questão de BUSCA...

... e o que busca, desde sempre,  aquele menino, não é nada mais, nada menos que sua luta pela sobrevivência... e toda sobrevivência traz um risco de morte.

Ali estava ele novamente buscando-se sobreviver às feras selvagens da noite... como se não tivesse bastado: a fera que o pariu.

Geme... Chora... Geme... Chora...
Às vezes muda-se a sequência deste repertório, mas o conteúdo seria sempre o mesmo, não fosse os passos humanos de um socorro, trazidos pelo caçador, que por ali preparava armadilhas pra sua próxima caçada.

Agora, o menino não se esconde... mas em vez disso, corre ao encontro do caçador, e  se joga sob seus pés... trêmulo.
Desta vez, o "caça-dor" não trazia  nem fruta  e nem suprimentos, mas trouxe consigo  naquele momento, algo muito mais forte que qualquer outra coisa:
―O caçador lhe trouxe um abraço.

Talvez não seja possível entender a linguagem dos homens e dos anjos... mas há linguagens que são universais... (Anderson Gomes)

parte: 2.5

Anoitece.
É quase humanamente impossível sobreviver à mata selvagem durante a noite, sem alguma experiência...  Imaginar um menino sob aquelas condições: o que seria?... A resposta, fica perdida por entre as folhagens...

É frio, e desesperador além do horizonte, isto por ali, não há horizonte...e nesta hora,  só há escuridão... e o choro de alguém, que sempre estivera perdido no mundo, e o mundo que sempre fora o seu, agora se  coloca   diante dele por vias opostas, num só encontro:   
―VIDAMORTE