SEJAM BEM VINDOS!

Este livro, que aos pouco está sendo escrito, é dedicado especialmente a bailarina Layanna Monique ― sinônimo de talento, perseverança e ternura.

domingo, 17 de julho de 2011

capítulo 22: LETRAS VIVAS

―ôh de casa?
Era o chamado que se anunciava na mais nova nublada manhã, trazendo à porta do menino, uma professora dedicada aos seus alunos, e que agora, viera atrás deste, que trocou a escola: pela árvore.

Do quintal, com as mãos cheias de espuma  do lavado de roupa, eis se aproxima a mãe do garoto:
―Sim, o que deseja?

Mãe e professora conversam longamente, à portas fechadas... mas atrás de uma delas, colava-se os ouvidos daquele menino, que fazia tempo que não pisava no solo "in-fértil" da escola...
Afinal, o que podiam lhe ensinar? A sentar-se enfileirado com os outros alunos numa posição hierárquica?... Ensinar a avaliar o aluno pela nota?...Quanto vale um aluno?... Seria também ensinar que não se deve discordar do professor? ...Que não se deve dizer nada de diferente do conteúdo da aula?... Ensinar a pintar apenas dentro do contorno do desenho? Ensinar que é feio borrar? Ensinar que o bom menino não faz "pipi" na cama? Ensinar a não pensar? Ensinar a ter respostas prontas e decoradas? Ou ensinar que um bom menino fica bem comportado e bem CALADINHO?
Se for isso: É só o que o garoto sabe fazer: ficar calado a maior parte do tempo que lhe dão... (e dão?)

Ficar lá no "fundão", isolado dos outros "certinhos", se sentindo o caladão, não era o que ele queria fazer... mas eram o que queriam pra ele... Que quanto mais calado: melhor! Afinal, o que ele tinha pra oferecer ?  ―assim falavam.
Para alguns, o menino Não falava coisa, com coisa, e ainda lhes diz que as letras saltam do quadro quando a professora escreve as tarefas de classe... Parecia que as letras tinham vida...parecia que elas queriam comunicar um algo mais além do que estava ali descrito. O que elas queriam dizer? ...Ou: O que elas o dizem?... Mas o que isso interessa a alguém?... Ninguém acreditava no menino das "letras vivas"...

O menino não precisava ouvir mais nada... Todo esse  histórico de sua  vida escolar, acabara de ser minunciosamente detalhado por aquela professora, diante de sua mãe... e agora, como sempre, não restava mais nada a esperar...a não ser:  a punição... além das várias que recebia por ter nascido.

Mãe e professora se cumprimentam e se despedem...
e onde está o menino?... Na árvore... 
Na velha amiga árvore de sempre... à desabafar...


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