Lá estava ele...
outra vez...
Na companhia de sua velha amiga árvore...
Ninguém sabia ao certo, se era ela que o embalava
ou se era ele que a balançava
Mas ele estava lá, em mais um por-do-sol
conversando com ela
e contando-lhe seus segredos de menino.
Já passada a hora,
Onde o sol não se despediu,
Não havia mais cor,
Nem flores, nem rouxinol cantando...
Só sua mãe chamando:
‒ôh menino! tá surdo?! Num ouviu não eu chamar?!... caminhe pra dentro, tomar banho!.. Já!
O menino desce rapidamente para o banheiro, que ficava do lado de fora de sua casa. O barrio estava cheio daquela água fria, e o vento só ajudava os arrepeios depois que a pele se molhava.
—brzzz! Estou congelando—sussurava o menino.
Vai para o quarto, passando pelo meio da casa de pés descalços, ao que sua mãe reclama:
—etxa! Molhando a casa toda! Cadê o chinelo?
Ele nem respondeu, já estava no quarto se enxugando em seu "ninho".
Trocou-se, vestiu a camisa pelo avesso, e foi jantar.
—Mamãe, cadê o papai? ainda não chegou?
—Não meu filho, coma e vá dormir, qua amanhã você tem que acordar cedo pra ir à escola.
Durante as poucas colheradas que deu na comida, ele olha pela janela, e vê sua amiga árvore lá no fundo do quintal, e lembra-se, que saiu de lá muito apressado sem se despedir. Como sabia que sua mãe, não deixaria mais sair... O menino foi para o quarto, apagou a luz, e pulou a janela, indo em diração ao tronco amigo de sempre.
E lá estava ele...
outra vez...
Estendeu seus pequenos braços em volta do tronco, e como num abraço , se despediu e voltou para o seu quarto, tentar dormir...
Trouxe consigo uma folha, e na cama, ja deitado, olhava para ela e dizia enquanto o sono não vinha:
—Por quê as coisas num podem ser do jeito que a gente quer?...Por quê?
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